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A ascensão dos carros elétricos no Brasil e no mundo

A demanda por carros movidos à energia elétrica ainda não é tão notável no Brasil, mas a produção deste tipo de automóvel no setor automobilístico tem sido cada vez mais estudada e tem tido um crescimento significativo através de algumas montadoras pelo mundo. Os carros elétricos já provocam mudanças no mercado mundial e causam questionamentos sobre o futuro do uso dos combustíveis.

Por definição, existem quatro principais modalidades de carros elétricos: o EV híbrido (HEV), que combina motores elétricos movidos à bateria (por sua vez carregada pelos freios regenerativos do carro) e outro à combustão, sendo abastecido por combustível (ex.: Toyota Prius); o EV híbrido plug-in (PHEV), idêntico ao HEV, contudo, a bateria que alimenta o motor elétrico pode ser carregada utilizando a rede elétrica, além dos freios (ex.: Volvo XC90); o EV à bateria (BEV), que é totalmente elétrico, ou seja, sem motores à combustão e tem bateria carregada através dos freios regenerativos e rede elétrica (Ex.: Tesla e BMW i3). Por fim, o EV à célula de combustível (FCEV), que é alimentado por hidrogênio para gerar energia e tem emissão de gases poluentes próxima de zero durante a fase de uso (Ex.: Nissan em fase de testes).

Pesquisas apontam que são determinantes na escolha de um veículo os seguintes fatores: viabilidade financeira, autonomia e, mais recentemente, a sustentabilidade. Apesar do aumento da representatividade das vendas em alguns países especialmente nos EUA, China e Europa, ainda existem barreiras relevantes ao carro elétrico.

Um dos principais fatores para o destaque mundial aos carros elétricos é motivado pela preocupação ambiental, que tem sido cada vez mais repensada globalmente devido a diversos motivos, dentre eles as exigências do Acordo de Paris. A queima de combustíveis fósseis é uma das grandes responsáveis pela poluição atmosférica, visto que cerca de 35% das emissões globais de CO2 na atmosfera são causadas pelo setor de transporte.

A inteligência artificial também tem sido tópico de grandes discussões no mercado automobilístico devido à possibilidade de aumento do bem-estar e segurança do proprietários, outros quesitos importantes na decisão de compra. Cabe ressaltar que um carro autônomo (sem motoristas e com inteligência artificial) não necessariamente precisa ser elétrico.

Contudo, há debates que definem que os BEV ou FCEV, movido exclusivamente à eletricidade, contribuem para a melhoria da eficiência do carro autônomo.

Viabilidade econômica do carro elétrico

Um relatório feito pela Bloomberg New Energy Finance (BNEF) indica que, até 2040, 56 milhões de carros elétricos circularão globalmente e o Brasil estará incluído nessa transição, com 8,5% da frota do país sendo elétrica. Porém, embora seja uma alternativa financeiramente atrativa em países da Europa, Estados Unidos e China, a viabilidade econômica do automóvel elétrico no Brasil mostra bons resultados apenas em alguns casos muito específicos.

Um comparativo entre os custos de um carro movido a etanol e um carro à energia elétrica mostra um resultado positivo a longo prazo para a tecnologia que está conquistando o mercado.

Há alguns quesitos presentes no Brasil, como (i) maior custo de aquisição do veículo (ii) menor renda e investimento per capita (iii) maior diferencial de custo da eletricidade vs combustível (iv) maiores taxas de juros (v) menor quilometragem rodada por veículo, que inviabilizam a opção pelo carro elétrico para maior parte dos brasileiros.

No entanto, nos outros países citados, essas barreiras são menores e há maior difusão do sharing economy por meio de aplicativos e taxis, que permitem uma maior viabilidade econômica para aquisição de um carro elétrico por uma boa parcela da população.

Um ponto negativo do lado econômico e social está relacionado à geração de empregos. A redução prevista até 2029 é de, em média, 12% dos funcionários que fazem parte da fabricação de automóveis. Isso ocorrerá pois os carros elétricos são mais práticos de serem produzidos, com bem menos peças e componentes quando comparados aos carros à combustão.

Frente às vantagens ambientais dos carros elétricos, alguns governos estabeleceram incentivos fiscais para produção e venda destes automóveis, o que contribui também para a viabilidade econômica na escolha pela veículo nesses países. Já no Brasil, há o uso de etanol, que é um combustível sustentável e social, uma vez que gera empregos e atividade local. Por isso, propostas de benefícios fiscais aos carros elétricos se tornam menos prováveis tendo em vista os pontos negativos que o carro elétrico causaria à economia, sem vantagens ambientais.

O uso de carros elétricos e a preocupação ambiental

Como já ressaltado anteriormente, um dos maiores diferenciais e vantagens dos veículos elétricos é a baixa ou nula emissão de gases poluentes causadores do efeito estufa na atmosfera. Porém, esse ponto positivo pode não ser realidade ao depender da matriz energética de algumas nações.

Em diversos países da Europa, por exemplo, a maior parte da eletricidade é gerada através de fontes não renováveis e que são grandes causadoras de poluição. Por isso, caso o usuário utilize esta energia para abastecer seu carro elétrico, ele ainda estará poluindo o meio ambiente. No máximo, contribuirá para tirar a poluição das metrópoles em levá-las para cidades industriais (usinas térmicas).

Portanto, mesmo que os automóveis elétricos não contribuam diretamente para o aumento da poluição atmosférica e seja, teoricamente, um carro limpo, o desconhecimento a respeito da fonte de energia utilizada pode emitir mais poluentes que a maioria das demais alternativas, sendo caracterizada como uma matriz suja.

Outro fator que pode gerar poluição é a indústria para a fabricação do carro elétrico. Se a energia utilizada para a fabricação da bateria e outros materiais do carro for proveniente de combustíveis fósseis, as emissões de CO2 do automóvel se tornam significativas.

Para ilustrar, em um comparativo entre todo o ciclo de vida de um carro híbrido flex (movido a etanol) e um elétrico que utiliza matriz energética suja, o mais poluente é o carro elétrico, com a emissão de 74 toneladas de CO2/km² durante um ano em comparação as 30 toneladas de CO2/km² de um carro hibrido flex.

Somente quando a energia utilizada pelo carro é gerada através de placas solares, por exemplo — uma fonte de energia renovável e limpa —, os automóveis elétricos se mostram mais sustentáveis e efetivos na preservação do meio ambiente, mas ainda assim quase se igualam às emissões de um carro híbrido flex devido ao gasto de CO2 na fase de produção do veículo e das placas solares.

Com certeza o etanol seria a melhor opção de combustível — limpo, seguro e econômico — para o planeta caso pudesse ser produzido em diversos países. Contudo, para abastecer toda a frota mundial, a área agrícola atual destinada para produção de etanol deveria ser 25x maior. Ainda que exista área agricultável disponível especialmente no Brasil, EUA e Índia, que são potenciais países produtores, seria inviável essa expansão, considerando a atual pressão mundial por alimentos agrícolas.

A preocupação ambiental se mostra cada vez mais essencial nas escolhas humanas, uma vez que as emissões mundiais de carbono têm excedido o patamar recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Além disso, devido também às exigências do Acordo de Paris, é possível observar um aumento de iniciativas governamentais que incentivem a redução de gases do efeito estufa e tecnologias, como o carro elétrico, são vistas como oportunidades mundiais de preservação do meio ambiente.

A autonomia e o abastecimento dos carros

Uma pesquisa realizada pela Universidade da Califórnia evidencia que a cada cinco motoristas de carro elétrico, ao menos um volta aos automóveis que utilizam combustíveis fósseis devido à necessidade do abastecimento elétrico.

Atualmente, uma carga completa em um carro elétrico dura, em média, o suficiente para o motorista utilizar o carro por 416 km e, em um carro que possui a maior capacidade de carga da bateria, 647 km é a distância máxima a ser percorrida. Os números parecem atrativos quando comparados a um automóvel à gasolina ou etanol, porém, é importante lembrar que as estações de carga não são encontradas facilmente como um posto de abastecimento comum.

No Brasil, há aproximadamente 500 estações de recarga elétrica para os automóveis, sendo predominantes nas regiões Sul e Sudeste, o que dificulta a disseminação desta tecnologia no restante do país.

Já nos Estados Unidos, por exemplo, existem cerca 41.685 estações, com uma distância média de 236 km², possibilitando longas viagens e incentivando a população americana a adquirir carros elétricos. Contudo o números de estações ainda não chega a 10% da quantidade de postos de combustíveis nos EUA.

Além disso, não basta apenas a disponibilização das estações de abastecimento. Uma queixa comum entre os motoristas de carro elétrico é a demora para recarregar a bateria: enquanto um veículo à gasolina ou etanol leva apenas 5 minutos para encher o tanque, um elétrico demora 30 minutos na estação de recarga para poder andar 100 km.

Utilizando a energia doméstica, o tempo do processo é ainda maior e é necessário deixar o automóvel recarregando durante a noite inteira, por exemplo. É notório que há uma necessidade de maiores avanços e pesquisas no setor, dado que os veículos elétricos ainda têm deficiências de autonomia. Porém, com um hábito correto de carregamento da bateria, este fator não acarretaria problemas ao usuário, visto a quilometragem média que o carro elétrico pode percorrer.

Conclusão

No Brasil, as vendas dos carros elétricos estão concentradas em 80% no estado de São Paulo. Embora a tecnologia esteja sendo difundida exponencialmente em países como EUA, Japão e China, muitos fatores ainda são limitadores para este tipo de automóvel no território brasileiro.

Atualmente, a escala de vendas dos carros elétricos no mundo equivale a 3% de toda a venda mundial anual de carros e, no Brasil, 1% dos veículos vendidos são movidos à energia elétrica.

Para adotar esta tecnologia, existe uma série de fatores a ser considerada pelo motorista, como a preocupação ambiental através do uso de placas solares para abastecimento do carro, custos envolvidos em toda a aquisição e manutenção, disponibilidade para a recarga e diversos outros pontos particulares a cada indivíduo.

Muitos especialistas indicam os carros elétricos como o automóvel do futuro, devido às suas vantagens e diferenciais frente aos veículos convencionais que utilizam gasolina, etanol ou diesel. Outro motivo para a confiança dos especialistas sobre os carros elétricos é a expectativa do surgimento de soluções para seus pontos negativos, em consequência da alta quantidade de pesquisa no setor. Portanto, há a tendência de aperfeiçoamento de algumas questões como os custos elevados de aquisição e a falta de autonomia devido ao carregamento das baterias para que, assim, a tecnologia possa ser popularizada mundialmente.